Importância da mobilidade acadêmica para a pesquisa

Por Thiago Romero

Agência FAPESP – Tradicionalmente, no Brasil, são as instituições públicas de ensino que incentivam a mobilidade acadêmica entre estudantes para a troca de experiências, apesar de cerca de 80% deles estarem em universidades privadas que, na maioria dos casos, não contam com centros de pesquisa e laboratórios para a realização de pesquisas.

A tendência foi discutida durante a 60ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada na semana passada, em Campinas (SP).

“O aluno não aprende apenas com o professor, mas também convivendo em uma comunidade científica que lhe ensina com base inclusive em recursos tecnológicos e de internet que nós, professores, muitas vezes não temos domínio”, disse Maria Clotilde Ferreira, professora da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP).

Clotilde defende a maior mobilidade dos estudantes para o avanço do conhecimento gerado na academia e fora dela. “Assim como andorinha sozinha não faz verão, cientista sozinho não faz pesquisa”, disse a psicóloga.

“O pesquisador deve sempre buscar uma maior flexibilidade para tentar trabalhar com suas pesquisas e também entender onde os resultados desses estudos poderão ser úteis, pensando na sociedade, nos projetos e programas de governo e na transferência de conhecimento para aplicações em empresas e indústrias. O acadêmico precisa sair da dimensão fechada de sua docência e pesquisa para começar a ampliar seu olhar”, afirmou.

Por outro lado, Clotilde mostrou-se extremamente preocupada com a questão da constituição da família como uma conseqüência negativa da mobilidade dos pesquisadores, uma vez que as pós-graduandas de todo o país estariam, segundo ela, adiando cada vez mais a maternidade. Ela também defendeu uma maior mobilidade social e empresarial da comunidade acadêmica.

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